domingo, 25 de outubro de 2009

'Inferno' na terra

Reportagem publicada no G1 em 25 de outubro de 2009, como parte da série do portal sobre a vida de brasileiros no exterior. O último lugar do mundo no ranking do IDH poderia render uma série de reportagens especiais só por si mesmo, mas serviu ao menos como gancho para contrastar com a reportagem sobre a vida de brasileiros na Noruega, onde há a melhor qualidade de vida. O personagem foi encontrado via Orkut e ´página da missão evangélica. Só durante a entrevista por telefone é que surgiu em detalhes a história que tornaria ainda mais interessante a reportagem, puxando pelo fato de que ele havia sido paquito, mas sem entrar em detalhes da sua conversão religiosa.


O objetivo de Alexandre Canhoni era ajudar as pessoas que vivem no pior lugar do mundo. Depois de ter atuado na TV como paquito do "Xou da Xuxa" e de ter deixado a carreira musical de lado para se tornar evangélico, ele tinha se decidido a viajar para algum lugar como Iraque, Paquistão, Serra Leoa, países em conflito em que a população sofria, e fazer trabalho humanitário. Foi quando ouviu falar do Níger, último colocado do ranking de Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, pela primeira vez. “Perguntei o que tinha por lá, e me disseram que ‘nada’”, contou, em entrevista ao G1, por telefone. Então, ele decidiu se mudar para Niamey, capital do país africano com a pior qualidade de vida do mundo, onde vive há oito anos.

“O país não tinha realmente nada”, contou. “Só agora chegaram detectores de metais no aeroporto, a previsão é de que chegue cartão de crédito daqui a cinco anos, há apenas três restaurantes e a cultura muçulmana é bem radical. Não tem cinema, são pouquíssimas as televisões, que normalmente têm uso comunitário e o que mais passa são programas religiosos islâmicos”, disse. Na capital, segundo ele, que hoje tem 38 anos, há algumas avenidas de asfalto e dois lugares com internet, como lan houses. A energia elétrica vem da Nigéria e muitas vezes falta. “Uma vez ficamos dois dias sem energia elétrica e perdemos muita comida que tínhamos em nossa geladeira.”

Localizado no oeste africano, logo abaixo do deserto do Saara (parte do território fica no deserto), o Níger ficou em 182º lugar no ranking de qualidade de vida, com IDH de 0,34, pior que o do Afeganistão, palco de uma ação militar comandada pelos Estados Unidos. A população de 15,3 milhões de nigerinos tem uma expectativa de vida de apenas 52 anos, e apenas 28% deles são alfabetizados. Trata-se de um dos países mais pobres do mundo, com Produto Interno Bruto per capita anual de apenas US$ 700 (cerca de R$ 1.200) (o do Brasil é de US$ 10.200, quase R$ 17.500, segundo a mesma fonte, a CIA).

Apesar da pobreza, segundo Canhoni, há também pessoas muito ricas no país, que vivem da exploração de urânio e petróleo e que chegam a serviço de multinacionais que, segundo Canhoni, não ajudam no desenvolvimento local. O problema é que há um abismo entre os ricos e os pobres, sem uma classe média, e o preço das coisas à venda é muito alto. “Um litro de leite nos dois únicos mercados custa o equivalente a R$ 6, um quilo de tomate pode chegar a R$ 25. Quanto mais pobre é o país, mais caras são as coisas. Não adianta levar dinheiro e a gente leva do Brasil o máximo de coisa que a gente pode. As pessoas são ou muito pobres ou muito ricas. Vivemos em um dos melhores bairros, mas em frente a nossa casa há barracos em que vivem muitas pessoas que ajudamos. É um contraste muito pior de que o tradicional de prédio de luxo e favela, que se vê no Brasil”, disse.

Segundo ele, os empregos são raríssimos. As pessoas normalmente trabalham como guardas na frente da casa de estrangeiros e ganhando muito pouco, que dá no máximo para comer. Alguns oferecem serviços de turismo, também, levando as pessoas para conhecer o deserto do Saara. “Gostaríamos de incentivar a formação de emprego atraindo empresas para lá, e com algo como uma central de reciclagem de lixo.”

Brasileiros e ajuda
Canhoni é um dos criadores do grupo Ministério Guerreiros de Deus, que diz ser uma ONG aberta à participação de todos que queiram ajudar a população em dificuldade, não apenas uma instituição religiosa. No apoio que oferece à população carente, ele trabalha a nutrição e a formação de crianças e mulheres, sempre com trabalho religioso e leitura de mensagens bíblicas, contou. Esse tipo de ação em um país majoritariamente muçulmano (80%, segundo a CIA), faz com que sejam alvo de ataques e ameaças. “Chegaram a apedrejar nossa casa”, contou.

O grupo mora na capital, em uma casa alugada. Comprar imóvel por lá é muito caro, segundo ele. A casa é usada como moradia e abriga projetos de nutrição, aulas de músicas, marcenaria, cultos e atividades esportivas. O grupo também ensina mulheres a costurar, pintar e fazer artesanato. Canhoni disse que há também uma série de grupos internacionais que fazem projetos humanitários também. “Alguns só distribuem comidas, outras traduzem a Bíblia, mas somos pioneiros em dar uma apoio total de alimentação, lazer e formação de crianças carentes”, disse.

Entre as pessoas que atuam no trabalho humanitário, ele disse haver nove brasileiros. O país não tem uma representação oficial do Itamaraty, e a embaixada que cuida das relações com o Níger fica localizada na Nigéria – a região tem registro de 270 brasileiros entre os dois países, além de Burkina Faso. “Temos um conselho brasileiro de missionários no Níger. Sentimos falta de uma representação do Brasil, que está se tornando conhecido pelo nosso trabalho. Eles têm visto nossa bandeira, nossa cultura, mas falta representação oficial", disse.

Coisas boas no pior lugar
Em um país sem “nada”, Canhoni disse ver o lado positivo nas pessoas, os nigerinos, que são receptivos e buscam melhorar um pouco sua vida. “Elas são pobres, não têm muita expectativa, mas são boas, se aproximam dos estrangeiros, buscam sair dessa situação horrível em que se encontram.” Pela pobreza, a corrupção é evidente, e maior de que no Brasil, segundo ele. “Mas não tem problemas de roubo como no Brasil. A lei islâmica é muito rigorosa, então é raro ver as pessoas fazerem isso. Elas têm uma consciência de não pegar o que não é delas, mesmo com toda a pobreza. As pessoas param para rezar, deixam o dinheiro de lado, mas não ocorre roubo.”

Canhoni conta que quem está no Níger para trabalhar com ajuda humanitária acaba não tendo tempo livre para lazer, então não sente falta disso. “Desde as 7h da manhã estamos ajudando eles, e trabalhamos até a noite.” Depois de oito anos vivendo assim, ele diz que sua expectativa é ficar lá até que o país saia da lista dos dez últimos países do mundo. “Ainda queremos montar escolas, centros esportivos, continuar desenvolvendo este trabalho para ajudar na vida difícil deles.”

Daniel Buarque

sábado, 24 de outubro de 2009

A igreja 'AngloRomana'

Reportagem publicada no G1 em 24 de outubro de 2009. Analisa sob o ponto de vista brasileiro a decisão do Vaticano de incorporar padres casados do anglicanismo, divulgada mais cedo na mesma semana. Resultado de uma ótima entrevista com o reverendo da maior igreja anglicana no Brasil, incluindo explicações interessantes e boas metáforas para a atual situação das duas religiões e seu futuro.

Aproximação do Vaticano não deve afetar anglicanos no Brasil, diz reverendo

A decisão de acolher na Igreja Católica os anglicanos, inclusive padres casados, que quiserem se aproximar do Vaticano, anunciada na última terça-feira (20), não deve afetar diretamente, nem logo, as cerca de 20 mil pessoas da comunidade brasileira que segue esta religião. A análise é do reverendo Aldo Quintão, responsável pela maior igreja da doutrina na América Latina, em São Paulo. “Somos uma comunidade relativamente pequena, e a normativa não vai afetar quase nada o Brasil”, disse.

Em entrevista ao G1, Quintão explicou que não foi uma surpresa o anúncio da Constituição Apostólica, e que ela se trata de uma decisão estratégica, parte de uma aproximação que busca, originalmente, a unidade entre as religiões. “Há muito tempo existe esta conversa com a igreja romana, sobre ecumenismo. A idéia original era que as duas igrejas tivessem unidade total”, disse. Segundo ele, a aproximação havia esbarrado na questão da ordenação de mulheres e de homossexuais, mas foi retomada por conta de um interesse Católico em atrair anglicanos insatisfeitos com algumas medidas que podem ser consideradas liberais demais.

“A igreja anglicana está dividida em três grupos, do mais conservador ao mais liberal, e a cúpula tem que encontrar uma solução para o grupo que está mais insatisfeito com os rumos mais liberais. Um acordo político entre católicos e anglicanos facilita para os dois lados e evita um racha real dentro da igreja anglicana. É como um filho que briga com o pai, decide sair de casa, mas vai morar com um tio, continua tudo próximo”, explicou. Ele disse que, no futuro, após a normativa do Vaticano, a igreja anglicana pode assumir uma postura definitivamente mais liberal, sem os conflitos internos com grupos mais conservadores.

“A igreja católica é como um avô que está assustado com a modernidade dos netos, mas não quer perder a presença deles, então aceita as diferenças, a realidade dos netos, fazendo algumas ressalvas. Ela aos poucos vai aceitando algumas mudanças, sem nenhuma atitude radical, sem criar problemas internos”, disse.

Procedimento e detalhes
Segundo Quintão, mesmo antes da decisão do Vaticano, já existia a passagem de anglicanos para a Igreja Católica. Mas, quando isso acontecia, a pessoa ficava sob a orientação de um bispo católico e estava sujeita a todas as normas do Vaticano. “O novo documento do papa diferencia, pois vai aceitar que os anglicanos mantenham a cultura de liturgia e de fé anglicana. Ele criou um tipo de vicariato, uma uniata, que são igrejas que não têm a tradição romana, mas são ligadas as Roma. Os anglicanos vão ser recebidos e vão estar dentro da igreja romana, mas de uma forma diferente, até mesmo para não criar problemas para a igreja romana, afinal de contas, os padres romanos vão continuar sem poder casar”, disse Quintão.

Apesar da explicação, o reverendo disse que na verdade ainda não foi definido qual vai ser o procedimento prático desta medida. Segundo ele, os detalhes desta aproximação ainda não ficaram claros. “Vai ser uma caminhada, vai se iniciar a conversa, a igreja romana deve começar a receber os bispos. Tem que decidir como vai ser a logística disso tudo, saber se as igrejas físicas vão se transferir de igrejas também, tudo coisa que ainda não ficou muito claro. Há muitos detalhes para discutir.”

Quintão explicou que, por mais que a ordenação de mulheres e homossexuais estivesse no cerne da discussão, a aproximação entre católicos e anglicanos dependia de outras questões muito importantes. “Os anglicanos são a favor do estudo das células-tronco, dos métodos contraceptivos, não são totalmente contra aborto em situações anencefalia e estupro, e ainda não se sabe como Roma vai receber isso”, disse.

Segundo ele, é preciso considerar também que esta grupo que vai migrar da igreja anglicana para a católica deve atrair muitos novos padres já ligados ao Vaticano, que querem continuar na religião, mas também gostariam de poder casar. “Minha impressão é que vai haver muitos padres romanos pedindo para entrar neste vicariato, querendo casar. Isso pode acontecer até no Brasil, atraindo pessoas que têm vontade de ser padre, mas que querem casar e que podem acabar fazendo surgir uma nova igreja ‘angloromana’, um novo nome.”

Daniel Buarque

Brazil cultural

Continuação da reportagem principal abaixo, sobre os estudos brasileiros nos Estados Unidos, este texto foi publicado também no dia 24 de outubro de 2009, e tenta apresentar o fenômeno encontrado na academia americana pelos olhos das universidades britânicas.

Cultura é o principal foco de estudos brasileiros no Reino Unido

Enquanto a academia norte-americana muda o perfil tradicional dos ‘brasilianistas”, incorporando o país como referência em trabalhos de ciência, nas universidades do Reino Unido os focos dos estudos sobre o Brasil são a cultura e a sociedade.

Segundo David Lehmann, do Centro de Estudos Latino-Americanos de Cambridge, uma das mais importantes universidades do mundo, essa é a tendência no país desde os anos 1990, supostamente uma década de auge nos estudos sobre brasil. Muitas vezes, a cultura é estudada por pesquisadores brasileiros.

“Há também pessoas estudando antropologia, indo dos índios à violência urbana. Nos anos 1980 havia mais pesquisas de história, mas isso diminuiu um pouco e é bem reduzido atualmente.”

Um dos motivos para isso, segundo ele, é que o Brasil, apesar de ter uma relevância internacional maior que a de outros países na América Latina, não costuma se envolver em conflitos diplomáticos ou de discursos, o que o torna menos controverso e até menos atraente. “O país acaba sofrendo por estar fazendo muito sucesso, pois acaba não se envolvendo em controvérsias e, por isso, há menos interesse internacional. A Venezuela, pelo contrário, chama muita atenção com as palhaçadas de Chávez”, disse. Segundo ele, mesmo não atraindo muitos estudos, isso acaba sendo positivo para o Brasil. “O Brasil chama a atenção pela economia, pelos negócios, entretanto, o que é bom.”

Autor de pesquisas sobre democracia, desenvolvimento e religião no Brasil, Lehmann explicou que no Reino Unido há programas sobre o país nas universidades de Cambridge e de Oxford e no King’s College, em Londres. O centro de Oxford teve muito sucesso por alguns anos, explicou, voltado à política brasileira e bancado por instituições brasileiras.

“Aqui no Reino Unido nós não somos tão obcecados por assuntos como nos EUA”, explicou. “O grande sucesso acadêmico aqui são os estudos culturais, com programas de cultura brasileira, que atraem muitos pesquisadores pela música, dança, pelo espetáculo – este é o grande foco de estudos da América Latina por aqui.” Ele criticou o que chamou de perfil introvertido das universidades brasileiras, alegando que faltam trabalhos voltados à divulgação da produção acadêmica do país no exterior.

Anos 90
O arquivo de textos acadêmicos da London School of Economics, que reúne muito do material usado em trabalhos na universidade, ajuda a comprovar a afirmação de Lehmann de que os anos 1990 foram importantes para os estudos brasileiros no Reino Unido. Uma busca pelo nome do país, em inglês, aponta que há 95.036 menções a ele. Desse total, 13.201 foram publicados desde janeiro do ano 2000 até esta semana. Na década anterior, entre janeiro de 1990 e dezembro de 1999, o total de menções ao Brasil foi de 19.139 textos, quase 45% a mais de que nesta década.

Somente neste ano, entre janeiro e outubro, o nome do país foi citado em 59 publicações encontradas na biblioteca virtual da universidade inglesa.No ano passado houve 133 menções ao “Brazil” em trabalhos acadêmicos. As publicações mais recentes que incluem menções ao país não fazem estudos sobre a realidade vivida, mas tratam da Venezuela, nutrição, biologia, astronomia, ciências em geral. Os temas especificamente brasileiros não são tão frequentes. A maioria dos trabalhos que usam o Brasil no título tratam de situações envolvendo a Amazônia, a ecologia e o ambiente.

Daniel Buarque

Brazil acadêmico

Reportagem publicada no G1 em 24 de outubro de 2009. Trata-se de uma daquelas pautas que se transformam ao longo da apuração. A princípio, a ideia era buscar nas universidades alguma comprovação para o que parecia um aumento da popularuidade do Brasil, percebida claramente na mídia dos Estados Unidos e da Europa. Ao longo das entrevistas com os diretores de centros de estudos brasileiros em algumas das principais universidades do mundo, apareceu o lead, uma novidade de fato interessante e diferente do que se pensava originalmente.

Antes visto como ‘exótico’, Brasil vira referência em universidades dos EUA

Um dos mais importantes centros de estudos em tecnologia do mundo, o MIT, nos Estados Unidos, deu início aos planos para inaugurar seu primeiro centro de estudos voltado para o Brasil, parte da iniciativa internacional MISTI. O objetivo do projeto é criar grupos de solução de problemas específicos em tecnologia e ciência, e evidencia uma tendência nova para as análises do Brasil nas maiores universidades dos EUA. Em vez de formar os tradicionais brasilianistas, que se debruçavam sobre a realidade histórica, social e cultural do país como um lugar exótico e distante, a academia norte-americana passou a encarar o Brasil como um importante ator global, referência em diferentes assuntos científicos e passando por quase todas as áreas de conhecimento.

Esta nova forma de encarar o Brasil está se disseminando pelos Estados Unidos. A reportagem do G1 entrevistou diretores de centros de estudos sobre o país e a América Latina em Harvard, Stanford, Universidade da Califórnia em Berkeley e MIT (Massachusetts Institute of Technology), universidades que aparecem no topo dos principais rankings de melhores instituições de ensino superior do mundo. Segundo eles, não há dados que comprovem um grande aumento no interesse acadêmico pelo Brasil, mas há uma mudança na abordagem, uma inclusão do país em áreas que antes ignoravam o que acontecia por aqui.

“De fato, houve uma mudança”, explicou Harley Shaiken, diretor do Center for Latin American Studies em Berkeley, por telefone. “Essa é a mais importante nova tendência em estudos brasileiros. Nós incentivamos essa forma de incluir o Brasil em outros estudos mais gerais. Se há uma pessoa trabalhando com energias renováveis, por exemplo, ela pode não ser especialista em Brasil, mas deve haver grupo de pessoas de estudos do Brasil que podem entrar em contato com este pesquisador. E nós tentamos incentivar estes contatos”, disse.

Segundo as universidades ouvidas, esta nova realidade envolve especialmente assuntos relacionados a energia renovável, ambiente, desenvolvimento, sustentabilidade, negócios, e há um grande grupo de pesquisadores que está se especializando em temas que precisam olhar para o Brasil.

Para o paulista Marcio Siwi, que vive nos EUA há dez anos e há dois atua no programa de estudos brasileiros do Centro David Rockefeller de Estudos Latino-Americanos em Harvard, “há temas em que o Brasil virou referência e que atraem muito o interesse de alunos e professores. Pode-se falar em aquecimento global, desenvolvimento sustentável, Amazônia, todos esses assuntos que são importantes para os Estados Unidos elevam a enfocar no Brasil como uma referência. O mesmo acontece nos estudos sobre desigualdade.”

‘Boom’ Brasil
Segundo o diretor do Programa Brasil do MIT, Ben Ross Schneider, mesmo com o surgimento deste e de outros novos centros de estudos sobre o país nos EUA,não há indícios para afirmar que o Brasil vive um momento de maior popularidade na academia norte-americana. Os estudos do Brasil, explicou, são descentralizados, e há programas neste sentido em muitas universidades.

“Eu acabo de mudar da universidade Northwestern, em Chicago, onde há um programa de estudos, que continua existindo. Talvez haja um crescimento, mas é impossível dizer que há uma onda de popularização dos estudos do Brasil. Sempre há centros importantes desses estudos, que mudam de local de tempos em tempos”, disse, em entrevista concedida pelo telefone. Segundo ele, entretanto, pelo menos uma centena de alunos do MIT já demonstraram interesse em participar do grupo que está sendo criado por ele.

Siwi, por outro lado, diz que percebe um certo aumento no interesse dos estudantes de Harvard pelo Brasil. “A quantidade de alunos que demonstram interesse no estudo do idioma português, por exemplo, cresceu muito nos últimos anos, o que gera uma diferença enorme no entendimento de o que é o Brasil e quais as diferenças do país em relação ao resto da América Latina.” Segundo ele, isso é algo que existe em todas as partes dos Estados Unidos.

O mesmo acontece na Califórnia, segundo Shaiken. Em Berkeley, diz, há claramente um aumento no interesse e no número de pesquisas envolvendo o Brasil, mas muito deste crescimento vem das pessoas que não são brasilianistas, mas trabalham assuntos em que o Brasil é um protagonista. “Neste nível há muito mais interesse de que havia no passado. Não é apenas um crescimento contínuo, mas um momento de empolgação com uma gama de ideias e possibilidades que envolvem o Brasil. Isso não significa que o país seja estudado tanto quanto mereça. Acho que trata-se de um país extraordinário em um momento único e é preciso mais estudo e mais atenção. Há muitos assuntos que aproximam pesquisas em diferentes áreas do Brasil, mas não se pode dizer que o número de alunos da universidade que estudam o Brasil triplicou, pois não há dados sobre isso. O crescimento, entretanto, é real.”

Shaiken, de Berkeley, credita a mudança que se percebe a uma maior familiaridade dos norte-americanos com temas relacionados ao Brasil, que vem se tornando menos exótico. “O Brasil está se tornando mais familiar, e há ao mesmo tempo muita admiração por coisas que estão acontecendo no país e críticos. Há uma mistura, mas o Brasil realmente é uma força global e muitos sentidos, e essa emergência faz com que o país seja visto com muito interesse, mas de fato sem parecer exótico.”

Gerações brasilianistas
Para Hebert S. Klein, que dirige o Centro de Estudos Latino-Americanos de Stanford, o que para algumas pessoas aparenta ser um crescimento no interesse é, na verdade, uma demonstração da mudança do perfil dos pesquisadores, e de uma mudança de geração, passando dos brasilianistas que iniciaram trabalho nos anos 1960 para novos acadêmicos que ainda se debruçam sobre a realidade do país.

“Na prática, nós temos uma mudança geracional, mas não há uma mudança relevante no volume de pesquisas sobre o Brasil. Trata-se de um tema sólido na academia norte-americana, bem estabelecido, mas que não tem um crescimento acentuado. Não há um boom, mas uma produção sólida e a geração mais velha vem sendo substituída, mantendo uma regularidade nas publicações sobre o Brasil.”

Segundo ele, no lugar do que querem chamar de “boom”, há um “não-declínio” do tema na academia, apesar da mudança de gerações. “Nessas novas gerações, há pessoas realizando pesquisas interessantes na universidade de Rice, na de Arizona, aqui em Stanford, em Rutgers, na UCLA, são todos pesquisadores em torno dos 40 anos, espalhados pelo país.”

Pesquisador de Harvard, Siwi concorda com esta visão e define o momento alegando que estamos numa época em que se repensa o que é um brasilianista. “Eles existem, vão continuar existindo e são importantes nessas áreas de humanidades. O que vemos agora, entretanto, são cientistas, que seu tema é ciência e que incluem o Brasil em seus trabalhos. Há um professor, por exemplo, que analisa os desafios globais relacionados com a água, e que inclui o Brasil em sua pesquisa, por ser um país muito importante na área. O Brasil está ganhando espaço em áreas que antes não davam atenção ao país.”

Segundo ele, o outro perfil do brasilianista não vai desaparecer, não perde espaço. Mas criou-se espaços novos que antes não existiam.

“Não há um impacto menor em humanidades. Continuamos tendo muitos pesquisadores da área de humanas que mantêm seus trabalhos voltados ao Brasil. Mas há expansão, sim, é muito maior na área de ciências. Não se trata de uma troca, mas do crescimento de áreas que antes eram mais tímidas”, disse Shaiken.

Daniel Buarque

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O que vale é a intenção

Reportagem publicada no G1 em 10 de outubro de 2009. Ronald Krebs, autor de pesquisa sobre história do Nobel da Paz, explica pela primeira vez que neste prêmio, ao contrário dos outros do Nobel, o que vale é a intenção. Entrevista concedida no mesmo dia em que o prêmio foi concedido, mas guardada para entrar como suíte do assunto no dia seguinte.

Nobel pode tirar foco de Obama da política interna, diz sociólogo americano

Apontado como uma grande vitória internacional do presidente dos Estados Unidos, o Prêmio Nobel da Paz conquistado por Barack Obama na sexta-feira (9) pode gerar um problema de política interna para ele nos próximos meses. Segundo a avaliação do sociólogo Ronald Krebs, autor de uma pesquisa sobre a história do Nobel da Paz a ser publicada no fim deste ano, Obama vai ser pressionado a deixar claro que interesses são mais importantes para seu governo, se os dos EUA ou os da comunidade internacional

“O prêmio vai comunicar aos americanos que talvez Obama queira defender mais os interesses da comunidade internacional de que os interesses dos Estados Unidos. Vai se abrir uma linha de ataque sobre esta questão, criando muita pressão sobre seu governo. Ele já mostrou que está preocupado com isso e tem defendido algumas ações militares para mostrar que os EUA vêm em primeiro lugar”, disse Krebs, em entrevista ao G1.

Segundo Krebs, é natural esperar que Obama prove que, para ele, os interesses norte-americanos estão acima dos internacionais, e não deve demorar para ele encontrar uma situação em que possa demonstrar isso de forma clara, por mais que possa surpreender a comunidade internacional. “Ele vai deixar o mundo desapontado, mas é uma situação que foi criada pelo comitê do prêmio Nobel.”

O anti-Bush
Professor na Universidade de Minnesota, Krebs é autor do livro “Fighting for rights: military service and the politics of citizenship” (Lutando por direitos: serviço militar e a política de cidadania) e deve publicar até o fim do ano “A Perilous Prize? The False Promise of the Nobel Peace Prize" (Um prêmio perigoso? A promessa falsa de um Prêmio Nobel da Paz), em que analisa o histórico da premiação e dos escolhidos pelo comitê. Segundo ele, a decisão de apontar Obama como o Nobel da Paz deste ano foi tomada por questões políticas, representando uma ruptura com a Era Bush nas relações entre os Estados Unidos e o resto do mundo.

“A vitória de Obama repete prêmios anteriores do Nobel da Paz, seguindo critérios políticos. É um prêmio que busca mandar uma mensagem clara em defesa de uma causa particular da paz. Ele marca uma linha que rebate as decisões do governo [George W.] Bush. A política externa do segundo mandato do governo Bush criou uma divisão entre os Estados Unidos e o resto do mundo. O Prêmio Nobel visa deixar de lado esta ruptura e mostrar que os dois podem estar juntos novamente.”

Para ele, Obama não teria ganhado nada se tivesse rejeitado o prêmio, como alguns analistas defenderam na mídia dos Estados Unidos. “O discurso de Obama após a premiação teve o tom perfeito. Ele foi modesto e reforçou a idéia de que o Nobel premia uma visão de uma comunidade internacional pacífica. Ele acertou ao defender que o trabalho para que isso seja alcançado seja conjunto.”

Aspiração e conquistas
O próprio laureado pelo Nobel da paz deste ano se disse surpreso, em sua primeira declaração após ter sido escolhido. Obama admitiu não ter um histórico que prove sua luta pela paz, mas disse saber que a premiação tinha ocorrido com expectativas no futuro.

Segundo Krebs, esta é exatamente a mentalidade do comitê do Nobel da Paz. “Nos últimos 30 anos, o comitê usa o prêmio para premiar aspiração, levando adiante um objetivo político específico voltado à paz. Dizer que o comitê vai perder credibilidade é ir contra a história do prêmio. O Prêmio Nobel da Paz há muito tempo prioriza aspiração a conquistas”, disse.

O prêmio Nobel da Paz, explicou, é o único dos prêmios do comitê que defende acima de tudo intenção. “Sempre que se fala nos outros prêmios, como física, medicina, todos os outros, defende-se conquistas e descobertas, o que cria uma expectativa de que o da paz também seja alguém que fez algo de relevante. Mas não o da Paz, que premia a aspiração acima de tudo”, disse, defendendo a escolha de Obama como correta pelos parâmetros do comitê.

Daniel Buarque

Em busca da paz

Reportagem publicada no G1 em 9 de outubro de 2009. No dia em que Barack Obama recebeu o Prêmio Nobel da Paz, era preciso encontrar uma voz dissonante, alguém que discordasse da escolha do comitê norueguês. Voltei a Jerome Corsi, acadêmico que é um dos principais críticos do presidente desde antes da sua eleição. Ele já havia sido entrevistado antes, nos 100 dias de governo de Obama, e foi atencioso na segunda vez que foi procurado para falar ao G1. Pode soar absurda a idéia de que Bush merecia mais o prêmio, mas foi uma das abordagens mais diferentes do assunto no dia da divulgação do Nobel.

Bush merecia o Nobel da Paz mais do que Obama, diz acadêmico conservador

“Minha primeira reação foi de achar que era uma piada.” Ainda chocado com a premiação do presidente Barack Obama com o Nobel da Paz deste ano, um de seus principais críticos dentro da política dos Estados Unidos, o acadêmico conservador Jerome Corsi, disse que precisou checar várias vezes a notícia para ter certeza de que não era uma brincadeira, uma pegadinha. Do seu ponto de vista, a premiação foi puramente política, e uma análise objetiva mostraria que o ex-presidente George W. Bush merecia mais que Obama a premiação.

“George W. Bush poderia merecer o prêmio por libertar pessoas de tiranias. Em termos objetivos, ele tem o mérito de conquistas alcançadas, e mesmo assim foi ignorado pelo Nobel, que só premia líderes que representam a esquerda política. O presidente Obama não fez nada. Ele não teve uma atuação representativa em termos de política internacional. Não conseguiu fazer nada que justifique este prêmio”, disse Corsi, em entrevista ao G1, por telefone. Segundo ele, o prêmio é mais uma reprimenda ao governo de George W. Bush, que é desprezado pelo comitê do Nobel.

“O Nobel tem sido bastante crítico ao ex-presidente, e já premiou Jimmy Carter (ex-presidente dos EUA), Al Gore (ex-vice-presidente dos EUA), e agora Obama, mostrando desdém a Bush. O pior é que Bush teve o mérito de libertar milhões de pessoas da ditadura de Saddam Hussein e do Talibã, e acabou ignorado pelo Nobel”, disse.

'Abominação'
O acadêmico é um dos principais críticos de Obama desde antes da sua eleição, em novembro do ano passado. Antes de os americanos elegerem o primeiro presidente negro da sua história, Corsi publicou um livro em que atacava o então candidato e o frenesi em torno da sua campanha. “The Obama nation” (Nação Obama) lido rapidamente soava como “abomination”, abominação, foi um dos livros mais vendidos no país naquele ano, e foi fortemente rejeitado pela imprensa internacional.

Para Corsi, as críticas que “Obama nation” recebeu quando foi lançado, em agosto do ano passado, foram causadas pelo que chama de “caso de amor” da mídia com Obama. Apesar de ter se tornado rapidamente um dos livros populares, a obra de Corsi foi criticada por quase todas as publicações independentes. “New York Times”, “Los Angeles Times”, Associated Press, “Time”, “Newsweek”, “Guardian”, CNN, “Independent” e Politifact, além de muitas outras publicações, atacaram veementemente o livro como uma obra de propaganda, obra de teoria da conspiração e chamaram o autor de preconceituoso.

Na entrevista concedida após a premiação de Obama com o Nobel, Corsi voltou a citar o chamado “caso de amor”, alegando que ele vai além da mídia internacional. “Estamos vendo a mesma reação de frenesi de esperança e mudança que tomou conta do planeta desde a eleição dele. É um entusiasmo sobre um discurso vago. O mundo projeta em Obama o que se quer que ele seja”, disse.

Enquanto o Nobel premia ele, atacou o acadêmico, “Obama está lidando com uma guerra complicada no Afeganistão, que ele alega ser uma guerra correta, e que pode acabar enviando mais soldados para o conflito, expandindo a guerra. Seria irônico se ele expandisse este conflito e mesmo assim recebesse o prêmio Nobel da Paz.”

Corsi disse acreditar que este prêmio fez o comitê do Nobel perder credibilidade. “Não podemos considerar que a organização que oferece o prêmio faz uma análise objetiva. Eles não levam em consideração a liberação de milhões de pessoas que sofriam com as tiranias no Iraque e no Afeganistão, e premiam Obama simplesmente para realizar um ataque político a Bush. É um grupo que quer mostrar sua opinião política”, disse. “O comitê do Nobel da Paz é completamente político, dominado por setores da esquerda, que expressam desprezo por Bush. Não é um prêmio justificável de forma objetiva após uma análise do governo Obama, pois ainda não há nada de concreto que justifique esta decisão. Seria preciso saber de fato qual é a postura política internacional do presidente, que ainda não ficou clara.”

Daniel Buarque

É Festa!!!

Quase um furo, esta reportagem foi publicada no G1 em 6 de outubro de 2009. O relatório completo mostrando a classificação do Brasil no ranking foi passado com exclusividade no Brasil, graças a um contato anterior para reportagem com Anholt, que dirige a pesquisa internacional. Outras agências, como a BBC, acabaram conseguindo alguns dos dados, mas o foco da entrevista no G1 foi exclusivo.

Copa e Olimpíada são chances de Brasil deixar de ser 'país da festa', diz consultor

O fato de que vai sediar eventos de grande porte como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 pode ser uma chance de o Brasil reverter sua imagem de apenas um “país de festa” e ter também sua 'marca' respeitada nos quesitos política e economia. A análise é do consultor governamental britânico Simon Anholt, criador do conceito de "nation branding", que "mede" o valor da marca de um país de acordo com sua percepção e admiração no mundo.

O Brasil ficou apenas em 20º lugar no ranking global de países com melhor imagem internacional na edição 2009 do Nation Brands Index. Enquanto a “marca” do país é bem avaliada em quesitos que incluem seu povo, cultura e história, o Brasil não é visto com olhos tão positivos em relação a política e economia.

A evolução da imagem do Brasil com a Copa e a Olimpíada, explicou Anholt em entrevista ao G1, depende de como o país vai aproveitar as oportunidades, pois grandes eventos como estes não melhoram a imagem do país automaticamente, mas são ótimas oportunidades de se destacar na mídia global. A China, por exemplo, saltou do 28º lugar do ranking de países de 2008 para o 22º lugar no deste ano, graças ao desempenho econômico durante a crise e às Olimpíadas de Pequim, no ano passado.

“O que mais importa é a forma como esta oportunidade é usada. A grande tragédia vai ser se os Jogos servirem apenas para reforçar o clichê do Brasil, pois logo que foi feito o anúncio do Rio como sede de 2016, por exemplo, toda a mídia dos EUA e da Europa foram unânimes em dizer que seria uma grande festa. Acho que não vai ser bom para o Brasil ser visto apenas como um ótimo lugar para uma festa, pois estamos falando de uma das potências emergentes em economia e política, que precisa usar esta oportunidade para mostrar que é útil além de decorativo”, disse Anholt.

Anholt foi o criador, em 1998, do termo “nation branding” para esta imagem, algo como “marca de nação”, e é um dos coordenadores da pesquisa anual que avalia a imagem de 50 países. Segundo ele, o problema da imagem de país da festa é comum no ranking de países, e é preciso trabalhar duro para poder ser visto como divertido, mas também sério, ou logo vai ser esquecido.

“Olhando para o Índice, vê-se que a opinião pública classifica os países em dois tipos. Um deles é divertido e decorativo, mas não muito sério; enquanto o outro é eficiente, competente, mas não muito divertido. A Alemanha e a Suíça estão neste segundo grupo, enquanto Itália e Brasil estão no primeiro. Se um país quer ser uma potência, precisa ter as duas características, como fazem os EUA e a Suécia, por exemplo, vistos como eficientes e divertidos.”

Seriedade e diversão
O Nation Brands Index é uma pesquisa coordenada por Anholt e pelo Instituto Gfk Roper. Ele mede a reputação de 50 países no mundo e desenha o perfil deles de acordo com a percepção internacional, acompanhando sua evolução ao longo dos anos. Para a pesquisa de 2009, foram entrevistadas 20.939 pessoas adultas, sendo aproximadamente 1.050 em cada um dos 20 países usados como referência (incluindo o Brasil). Cada entrevistado responde a uma série de questões sobre os 50 países, avaliando seis pontos: Exportações, Governabilidade, Cultura, Povo, Turismo e um duplo, Imigração e Investimento. Cada uma dessas categorias também se torna um ranking isolado.

Por mais que não seja uma demonstração perfeita da força internacional dos países, segundo Anholt, entender a percepção que outros países têm do Brasil, por exemplo, é importante porque tudo o que um país quer fazer num mundo atual depende da sua imagem. “Se um o país tem uma boa imagem, é mais fácil e barato atrair investimentos, atrair turistas, ajuda, atenção e respeito da opinião pública global, além de valorizar seus produtos e seu povo em todo o planeta. Tudo depende da imagem, pois o mundo é muito grande e as pessoas não conhecem bem todos os países, e baseiam suas opiniões e decisões na imagem que o país tem internacionalmente”, explicou.

A classificação do Brasil no índice deste ano mostrou uma pequena evolução, subindo do 21º para o 20º lugar. O país ainda é o mais bem avaliado da América Latina. Além dele, Argentina (23º), México (28º), Chile (38º), Peru (39º), Cuba (44º), Equador (46º) e Colômbia (47º) também foram avaliados.

O Brasil aparece à frente em todos os seis itens analisados, mas a variação da avaliação que se faz do país, entretanto, deixa bem claro que o país é mais lembrado pela diversão, pois é o 10º colocado no ranking de Cultura, o 17º no que avalia o Povo e o 12º no de Turismo. No item Exportação, entretanto, quando se avalia a percepção dos produtos do país, o Brasil é o 26º colocado. Em Governabilidade, analisando a seriedade do poder público, é o 24º lugar; e é ainda o 21º no item Imigração e Investimento, quando se considera a qualidade de vida e a capacidade de atrair estrangeiros.

Ranking
Depois de ter sido apenas o 7º colocado no Índice do ano passado, os Estados Unidos melhoraram sua imagem internacional e se tornaram o líder em 2009. Segundo Anholt, uma evolução tão grande é rara, e pode ser creditada às mudanças no governo do país.

“A reputação dos Estados Unidos, na verdade, voltou ao normal. Estamos falando do país mais famoso e mais poderoso do mundo, mas que, durante o governo de George W. Bush, especialmente nos últimos anos, ficou numa posição artificialmente baixa. Muita gente estava insatisfeita com os Estados Unidos. A mudança não é nem tão causada pela chegada de Obama, mas pela partida de Bush. A saída dele fez com que as pessoas voltassem a ter um sentimento normal, de admiração, em relação aos EUA”, disse.

Além dos EUA, os primeiros dez colocados são França (2º), Alemanha (3º), Reino Unido (4º) e Japão (5º). O Canadá sofreu a maior queda na pesquisa de 2009, caindo da 4ª para a 7ª colocação. A Itália se manteve em 6º lugar pelo segundo ano consecutivo, enquanto a Suíça ficou em 8º, seguida pela Austrália em 9º e a Espanha e Suécia empatadas na 10ª posição.

No extremo oposto, Colômbia e Quênia empataram na 47ª colocação. Angola foi para o 49º lugar, enquanto o Irã apareceu em último.

Desenvolvimento Humano
Segundo Anholt, há um paralelo entre o ranking da imagem dos países e o do Índice de Desenvolvimento Humano, calculado pela ONU levando em conta a qualidade de vida e divulgado também nesta semana, em que a Noruega aparece em primeiro lugar e o Brasil em 75º de um total de 182 países.

“Normalmente os países que têm melhor qualidade de vida são os mesmos que são bem vistos internacionalmente. Não é uma ligação direta, mas normalmente há uma relação, já que os países que têm boa imagem são os mais relevantes internacionalmente. A qualidade de vida conta, mas a importância global faz com que a marca seja mais valorizada independentemente da classificação no IDH.

Segundo ele, a Noruega não aparece no ranking de melhores imagens de 2009 porque há um revezamento dos países que fazem parte do índice, que só trata de 50 nações. Muitos desses países que têm a imagem avaliada recebem relatórios detalhados da sua marca, da sua imagem internacional.

Daniel Buarque

Início e arquivo mais antigo

Este blog reúne meu portfolio profissional – reportagens, matérias, comentários, idéias de pautas e de textos interessantes na imprensa global.
Ele antes era editado no wordpress - reportagens publicadas entre março e junho de 2009 podem ser lidas aqui