quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Em busca da paz

Reportagem publicada no G1 em 9 de outubro de 2009. No dia em que Barack Obama recebeu o Prêmio Nobel da Paz, era preciso encontrar uma voz dissonante, alguém que discordasse da escolha do comitê norueguês. Voltei a Jerome Corsi, acadêmico que é um dos principais críticos do presidente desde antes da sua eleição. Ele já havia sido entrevistado antes, nos 100 dias de governo de Obama, e foi atencioso na segunda vez que foi procurado para falar ao G1. Pode soar absurda a idéia de que Bush merecia mais o prêmio, mas foi uma das abordagens mais diferentes do assunto no dia da divulgação do Nobel.

Bush merecia o Nobel da Paz mais do que Obama, diz acadêmico conservador

“Minha primeira reação foi de achar que era uma piada.” Ainda chocado com a premiação do presidente Barack Obama com o Nobel da Paz deste ano, um de seus principais críticos dentro da política dos Estados Unidos, o acadêmico conservador Jerome Corsi, disse que precisou checar várias vezes a notícia para ter certeza de que não era uma brincadeira, uma pegadinha. Do seu ponto de vista, a premiação foi puramente política, e uma análise objetiva mostraria que o ex-presidente George W. Bush merecia mais que Obama a premiação.

“George W. Bush poderia merecer o prêmio por libertar pessoas de tiranias. Em termos objetivos, ele tem o mérito de conquistas alcançadas, e mesmo assim foi ignorado pelo Nobel, que só premia líderes que representam a esquerda política. O presidente Obama não fez nada. Ele não teve uma atuação representativa em termos de política internacional. Não conseguiu fazer nada que justifique este prêmio”, disse Corsi, em entrevista ao G1, por telefone. Segundo ele, o prêmio é mais uma reprimenda ao governo de George W. Bush, que é desprezado pelo comitê do Nobel.

“O Nobel tem sido bastante crítico ao ex-presidente, e já premiou Jimmy Carter (ex-presidente dos EUA), Al Gore (ex-vice-presidente dos EUA), e agora Obama, mostrando desdém a Bush. O pior é que Bush teve o mérito de libertar milhões de pessoas da ditadura de Saddam Hussein e do Talibã, e acabou ignorado pelo Nobel”, disse.

'Abominação'
O acadêmico é um dos principais críticos de Obama desde antes da sua eleição, em novembro do ano passado. Antes de os americanos elegerem o primeiro presidente negro da sua história, Corsi publicou um livro em que atacava o então candidato e o frenesi em torno da sua campanha. “The Obama nation” (Nação Obama) lido rapidamente soava como “abomination”, abominação, foi um dos livros mais vendidos no país naquele ano, e foi fortemente rejeitado pela imprensa internacional.

Para Corsi, as críticas que “Obama nation” recebeu quando foi lançado, em agosto do ano passado, foram causadas pelo que chama de “caso de amor” da mídia com Obama. Apesar de ter se tornado rapidamente um dos livros populares, a obra de Corsi foi criticada por quase todas as publicações independentes. “New York Times”, “Los Angeles Times”, Associated Press, “Time”, “Newsweek”, “Guardian”, CNN, “Independent” e Politifact, além de muitas outras publicações, atacaram veementemente o livro como uma obra de propaganda, obra de teoria da conspiração e chamaram o autor de preconceituoso.

Na entrevista concedida após a premiação de Obama com o Nobel, Corsi voltou a citar o chamado “caso de amor”, alegando que ele vai além da mídia internacional. “Estamos vendo a mesma reação de frenesi de esperança e mudança que tomou conta do planeta desde a eleição dele. É um entusiasmo sobre um discurso vago. O mundo projeta em Obama o que se quer que ele seja”, disse.

Enquanto o Nobel premia ele, atacou o acadêmico, “Obama está lidando com uma guerra complicada no Afeganistão, que ele alega ser uma guerra correta, e que pode acabar enviando mais soldados para o conflito, expandindo a guerra. Seria irônico se ele expandisse este conflito e mesmo assim recebesse o prêmio Nobel da Paz.”

Corsi disse acreditar que este prêmio fez o comitê do Nobel perder credibilidade. “Não podemos considerar que a organização que oferece o prêmio faz uma análise objetiva. Eles não levam em consideração a liberação de milhões de pessoas que sofriam com as tiranias no Iraque e no Afeganistão, e premiam Obama simplesmente para realizar um ataque político a Bush. É um grupo que quer mostrar sua opinião política”, disse. “O comitê do Nobel da Paz é completamente político, dominado por setores da esquerda, que expressam desprezo por Bush. Não é um prêmio justificável de forma objetiva após uma análise do governo Obama, pois ainda não há nada de concreto que justifique esta decisão. Seria preciso saber de fato qual é a postura política internacional do presidente, que ainda não ficou clara.”

Daniel Buarque

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