sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Entre crescimento e aquecimento

Texto publicado no G1 em 26 de novembro de 2009. Foi por coincidência que a entrevista marcada na véspera foi feita no mesmo dia em que a China anunciou o corte nas emissões de carbono. O gancho serviu para que fosse publicado no mesmo dia um aperitivo da entrevista, focando a questão chinesa e a influência dela na economia global. A notícia quente do dia, entretanto, reduziu o tamanho da entrevista, que durou apenas 15 minutos.

Anúncio chinês de corte de CO2 é surpreendente, diz criador do termo Bric

A decisão da China de anunciar metas de contenção de emissões de gases-estufa é surpreendente e pode significar que o país vai começar a aceitar uma diminuição no crescimento do seu PIB em nome de uma maior preocupação com a qualidade do desenvolvimento. A avaliação é de Jim O’Neill, criador do termo Bric e diretor de pesquisa do grupo Goldman Sachs, em entrevista ao G1.

O acrônimo imaginado por O’Neill reúne Brasil, Rússia, Índia e China, as quatro principais nações emergentes do mundo. O país asiático declarou nesta quinta-feira (26) que vai, “voluntariamente”, reduzir entre 40% e 45% sua emissão de dióxido de carbono (CO2) por unidade de PIB até 2020, na comparação com os níveis de 2005.
Dúvida agora é qual será a reação da Índia

“Passei o dia inteiro analisando o anúncio da China e acho que é uma decisão surpreendente”, afirmou o economista. “Se acreditarmos no que eles estão dizendo, pode mudar o padrão da demanda de longo prazo de petróleo e combustíveis fósseis.”

Em sua avaliação, a dúvida “que fica no ar agora” é qual será a reação da Índia. “Em nossa projeção de longo prazo sobre os BRIC, entre 40% e 50% da demanda de energia do mundo nos próximos 40 anos vêm da Índia e da China.”

Ainda segundo O’Neill, a adoção de energia renovável pela China em larga escala, se confirmada, pode ser um grande estímulo para a economia brasileira, “dada a força do país em energia renovável”.

Daniel Buarque

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